Checklist de 5 minutos antes de protocolar sua liquidação trabalhista
Um roteiro rápido para evitar erros que atrasam a execução e geram impugnação.
Antes de clicar em "protocolar", pare 5 minutos e confira esses pontos.
Todo mundo já passou por isso: protocola a liquidação, o juiz manda intimar a parte contrária e, dias depois, vem impugnação por erro básico. Perdeu tempo, perdeu credibilidade.
Este checklist é para você revisar o essencial em 5 minutos ou menos. Imprima e deixe ao lado do computador.
1. Dados do processo e das partes
- Número do processo confere com a sentença? (erro de digitação é o mais comum)
- Nome das partes está completo e sem abreviação?
- CPF/CNPJ do executado e exequente batem com os autos?
- Vara e Juiz estão corretos? (em varas acumuladas, é comum trocar)
2. Base de cálculo: o que liquidou?
- A liquidação abrange todo o período deferido? Exemplo: se a sentença diz "de 01/01/2020 a 31/12/2022", seu cálculo cobre de 01/01/2020 a 31/12/2022?
- Verbas estão individualizadas? Ex.: horas extras, adicional noturno, reflexos — não misture tudo num valor total sem discriminar.
- Índice de correção monetária aplicado é o vigente na data da sentença? (sem inventar TR se o IPCA-E foi definido)
3. Datas e prazos
- Data-base do cálculo está correta? (data do ajuizamento, data do término do contrato, etc.)
- Prescrição foi considerada? Se a sentença reconheceu prescrição quinquenal, seu cálculo exclui o período anterior aos 5 anos do ajuizamento.
- Juros de mora desde quando? (art. 883 da CLT: desde o ajuizamento, salvo decisão diferente)
4. Fórmulas e valores
- Fórmula está explícita? Ex.: "Hora extra = salário base / 220 x 1,5 x horas excedentes". Juiz e perito precisam entender o raciocínio.
- Cálculo de horas extras considerou o divisor correto? (220h para 44h semanais, 200h para 40h, etc.)
- Redutor de jornada foi aplicado? Se é bancário, o divisor é 180h? Confira a função.
- Valor final confere com a soma das parcelas? (faça uma conta rápida de cabeça: [parcela A + B + C] deve ser menor ou igual ao total)
5. Documentação anexa
- Memória de cálculo está em arquivo separado e legível? (PDF de preferência, nunca print de celular)
- Planilha editável (Excel, .ods) foi anexada se o juiz exigiu? (verifique a decisão que determinou a liquidação)
- Documentos comprobatórios (contracheques, TRCT, termo de rescisão) estão presentes? Se o cálculo depende de média salarial, anexe os contracheques.
6. Assinatura e qualificação
- Sua assinatura e número da OAB constam na petição ou na memória de cálculo?
- Qualificação do perito/advogado está completa? (nome, CPF, endereço profissional, e-mail)
- Data da liquidação é a data de hoje? (não use data retroativa, a menos que seja retificação)
7. Erros clássicos que derrubam liquidação
- Valor negativo sem explicação (ex.: diferença de saldo devedor). Se aparecer zero ou negativo, justifique.
- Cálculo em reais atuais sem correção? (não esqueça de atualizar até a data do cálculo)
- Verba deferida que não consta na liquidação? Ex.: a sentença deu adicional de periculosidade, mas você só calculou horas extras.
- Índice errado – exemplo: usar INPC quando a sentença determinou IPCA-E.
8. Última conferência visual
- Dê uma lida rápida na petição (não só no cálculo). O texto está coerente?
- Confira se pedido corresponde ao valor final: "requer o pagamento de R$ XX.XXX,XX" – esse valor está na memória de cálculo?
- Se houver parcelamento (ex.: depósito em conta vinculada), os valores estão corretos?
Pronto? Pode protocolar.
Se você usa o JusQuant para gerar as liquidações, grande parte desses itens já vem conferida pela automação — como índices, prescrição e fórmulas padronizadas. Mas mesmo com a ferramenta, vale dar aquela olhada rápida. Garantia nunca é demais.
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Marina Duarte é personagem editorial da JusQuant. Histórias e exemplos são recriações didáticas — nomes, datas e valores alterados; qualquer semelhança com casos específicos é coincidência. Conteúdo informativo, não substitui parecer profissional.